Gestão Ambiental na Empresa  

 

A Mudança no ambiente de negócios

Introdução

Essa mudança baseia-se na assertiva de que, apesar do visível sucesso obtido pelo sistema capitalista, quando confrontamos seus resultados econômicos e monetários com outros resultados sociais, tais como redução da pobreza, degradação de áreas urbanas, controle da poluição, diminuição das iniqüidades sociais, entre outros, verifica-se que ainda há muito a ser conseguido e que o crescimento do PNB - Produto Nacional Bruto não é e nunca  será uma medida adequada para avaliar a performance social.

A Empresa como Instituição Sociopolítica

Uma quantidade crescente de atenção, por parte das organizações, tem se voltado para preocupações de caráter político-social, tais como proteção ao consumidor, controle da poluição, segurança e qualidade de produção, assistência médica e social, defesa de grupos minoritários, etc. Tem ocorrido uma proliferação de novas pressões por pare da sociedade que resultam em novas leis e regulamentações que acabam, de certa forma, provocando mudanças nas regras do jogo. Essas mudanças afetam de forma intensa o ambiente social e político em que a empresa atua.

A mudança no ambiente de negócios, obedecendo ao esquema descrito por Buchholz e outros (1985), pode ser verificada abaixo e compara a visão tradicional da empresa dentro de uma concepção meramente econômica com uma visão mais moderna e atualizada do ambiente de negócios que tem um espectro muito mais complexo, exigindo por parte da empresa acompanhamento e atenção mais intensa.

 

A empresa como instituto econômico

       
       

 

Na visão tradicional da empresa como instituição apenas econômica, sua responsabilidade consubstancia-se na busca da maximização dos lucros e na minimização dos custos além disso.

A visão moderna da empresa em relação a seu ambiente é muito mais complexa, pois ela é vista como uma instituição sociopolítica. A linha de demarcação entre empresa e seu ambiente é vaga e ambígua. essa visão é o resultado de uma mudança de enfoque que está ocorrendo no pensamento da sociedade e mudando sua ênfase do econômico  para o social, valorizando aspectos sociais que incluem distribuição mais justa da renda, qualidade de vida, relacionamento humano, realização pessoal, etc.

A sociedade tem ficado mais atenta ao comportamento ético das empresas, bem como sobre a atuação de seu corpo de executivos, o que tem resultado em novas leis e regulamentos que tentam melhorar o padrão ético das corporações e tem provocado o surgimento de novas posturas estratégicas em face das mudanças provocadas nas regras do jogo.

Em nosso país, a mais importante influência no ambiente dos negócios é derivada do próprio governo. Essa mudança no ambiente dos negócios, do ponto de vista social e político, e o resultado de seu impacto na administração das empresas têm mudado a forma pela qual os administradores gerem seus negócios e provocado uma modificação no sentido de redefinir qual é o verdadeiro papel que a sociedade espera que administradores desempenhem na gerencia das organizações. Assim, em adição às habilidades técnicas, administrativas e de relacionamento humano, o administrador das corporações modernas deve desenvolver habilidades que se evidenciem importantes para o entendimento do contexto social e político do ambiente externo que envolve a tarefa de administrar.

A responsabilidade social, como é chamada com freqüência, implica um sentido de obrigação para com a sociedade. Esta responsabilidade assume diversas formas, entre as quais se incluem proteções ambientais, projetos filantrópicos educacionais, planejamento da comunidade, equidade nas oportunidades de emprego, serviços sociais em geral, de conformidade com o interesse político.

Essa responsabilidade social das corporações, tem-se intensificado nas últimas décadas, em resposta às mudanças ocorridas nos valores de nossa sociedade. A justificativa para o sentido de responsabilidade social por parte da empresa fundamenta-se na liberdade que a sociedade concede à empresa para existir. O pagamento dessa liberdade é a contribuição das empresas para coma a sociedade.

      

 

A responsabilidade social das organizações diz respeito às expectativas econômicas, legais, éticas e sociais que a sociedade espera que as empresas atendam, num determinado período de tempo.

A consideração social refere-se à capacidade de uma organização de responder às expectativas e pressões da sociedade. Nesse sentido, a busca de procedimentos, mecanismos, arranjos e padrões comportamentais desenvolvidos pelas empresas marca aquelas que são mais ou menos capazes de responder aos anseios da sociedade. para atender a esse novo posicionamento de conscientização social, desenvolveram um modelo conceitual que foi adaptado e que indica três fases para situar os mecanismos internos desenvolvidos pelas organizações para lidar com as mudanças ocorridas no ambiente dos negócios: Percepção, Compromisso e Ação.

 

A variável Ecológica no Ambiente dos Negócios

Os países começam a entender que as medidas de proteção ambiental não foram inventadas para impedir o desenvolvimento econômico. Tal iniciativa acarreta nova visão na gestão dos recursos naturais a qual possibilita, ao mesmo tempo, eficácia e eficiência na atividade econômica e mantém a diversidade e a estabilidade do meio ambiente.

O conceito de desenvolvimento sustentável, que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações atenderem às suas , é a nova palavra de ordem desde que a ONU publicou seu relatório, em abril de 1987, sob a denominação de " Nosso futuro comum"

Evolução da política ambiental no Brasil

No Brasil, a gestão do meio ambiente caracteriza-se pela desarticulação dos diferentes organismos envolvidos, pela falta de coordenação e pela escassez de recursos financeiros e humanos para gerenciamento das questões relativas ao meio ambiente. Essa situação é o resultado de diferente estratégias adotadas em relação à questão ambiental no contexto do desenvolvimento econômico do Brasil, como enfatiza Monteiro(1981) ao afirmas que a economia brasileira.....

Repercussão no ambiente industrial

Essa mudança de orientação governamental, se consubstancia através da publicação de várias leis, entre as que resultam na criação de diversos agentes de controle ambiental, tanto no nível estadual e municipal. Diante dos protestos crescentes da população contra os riscos de desastres ecológicos ou da deterioração da qualidade de vida, os governos locais e nacionais são pressionados a implantar normas cada vez mais severas de proteção e conservação.

As portas do mercado  do lucro se abrem cada vez mais para as empresas que não poluem, poluem menos ou deixam de poluir.

Tradicionalmente, as exigências referentes à proteção ambiental eram consideradas um freio ao crescimento da produção um obstáculo jurídico legal e demandante de granes investimentos de difícil recuperação e, portanto, fator de aumento dos custos de produção. Começa ficar patente que a despreocupação com os aspectos ambientai pode traduzir-se no oposto: em aumento de custos, em redução de lucros, perda de posição no mercado , até, em privação da liberdade ou cessação de atividades. Meio ambiente e sua proteção estão-se tornando oportunidades para abrir mercados  prevenir-se contra restrições futuras quanto ao acesso a mercados internacionais.

As respostas da indústria ao novo desafio ocorrem em três fases, muitas vezes superpostas, dependendo do grau de conscientização da questão ambiental dentro da empresa: controle ambiental nas saídas, integração do controle ambiental nas práticas e processos industrial; e integração de controle ambiental na gestão administrativa. A insatisfação conduziu a uma Segunda geração de respostas, em que o controle ambiental é integrado nas práticas e processos produtivos, deixando de ser uma atividades de controle da poluição e passando a ser uma função da produção.

mas a preocupação com o meio ambiente não pararam de crescer e acabaram atingindo o próprio mercado, redesenhando-o com o estabelecimento de um verdadeiro mercado verde, que torna os consumidores tão temíveis quanto os órgãos de meio ambiente.

Com isso, a proteção ao meio ambiente deixa de ser uma exigência punida com multas e sanções e inscreve-se em um quadro de ameaças e oportunidades, e a própria permanência ou saída do mercado.

A proteção ambiental deslocou-se uma vez mais, deixando de ser uma função exclusiva de produção para tornar-se também uma função da administração. Essa atividade dentro da organização passou a ocupar o interesse dos presidentes e diretores e a exigir nova função administrativa na estrutura administrativa que pudesse abrigar um corpo técnico específico e um sistema gerencial especializado, com a finalidade de propiciar à empresa uma integração articulada e bem conduzida de todos seus setores e a realização de um trabalho de comunicação social e consciente.

 

A questão ambiental sob o enfoque econômico

A ciência econômica só recentemente se interessou pela questão ligada à poluição, pois até então suas preocupações diziam respeito apenas às relações existentes entre o meio ambiente, considerado sob a ótica dos recursos naturais (natureza) e o processo d desenvolvimento.

Os economistas neoclássicos, ao abandonarem as preocupações com o curto prazo. Somente em 1920, com o trabalho de Pigou " the Economics of Welfare", é que a Ecologia se refere ao aspecto da externalidade. Este conceito só foi associado à questão ambiental em anos recentes, a poluição ambiental se agravou e quando os custos de despoluição começaram a assumir valores significativos a partir de 1950, reavaliando os resultados do crescimento econômico, começaram a ser feitas análises sobre a questão ambiental e suas relações como desenvolvimento econômico. De acordo com Libanori (1990) na década de 70, a Economia e debruça de forma significativa sobre as relações entre desenvolvimento econômico e o meio ambiente, o conceito de desenvolvimento sustentável tem três vertentes principais> crescimento econômico, equidade social e equilíbrio ecológico. Sob esta ótica, o conceito de desenvolvimento apresenta pontos básicos que devem considerar de maneira harmônica crescimento econômico, maior percepção com os resultados sociais decorrentes e equilíbrio ecológico na utilização dos recursos naturais..

Na atualidade, as principais correntes econômicas, relativamente à questão de meio ambiente, incluem:

1.    Os ecodesenvolvimentistas

2.    os pigouvianos

3.    Os neoclássicos

4.    os economistas ecológicos

 O termo ecodesenvolvimentistas em sua forma mais elementar significa transformar o desenvolvimento numa soma positiva com a natureza, proposto que tenha por base o tripé: justiça social, eficiência econômica e procedência ecológica

O termo pigouvianos entendem que a questão da poluição ambiental se origina de uma falha do sistema de preços, que não reflete de forma correta os danos causados a terceiros e ao meio  ambiente, quando da implantação de uma indústria ou do aumento da qualidade produzida, que deveria ser resolvida através da introdução de um mecanismo que possibilitasse a internalização monetária dessa externaliade.

 Para os  neoclássicos, o conceito de meio ambiente integra três aspectos:

 Os economistas ecológicos

É relativamente ressente tendo surgido no final da década de 80, a Economia Ecológica pode ser definida como um campo transdiciplinar que estabelece relações entre os ecossistemas e o sistema econômico. Seu objetivo é agregar os estudos de ecologia, viabilizando extrapolar suas concepções convencionais, procurando tratar a questão ambiental de forma sistêmica e harmoniosa, buscando a formulação de novos paradigmas, seu foco principal é a relação do homem com a natureza e a compatibilidade entre crescente demográfico e disponibilidade de recursos.

a questão ambiental na empresa

Cada vez mais a questão ambiental está-se tornando matérias obrigatórias das agendas dos executivos da empresa. A globalização dos negócios, a internacionalização dos padrões de qualidade ambiental esperadas na ISO 14000, a conscientização crescente dos atuais consumidores e a disseminação da educação ambiental nas escolas permitem antever que a exigência futura que farão os futuros consumidores em relação à preservação do meio ambiente e à qualidade de vida deverão intensificar-se. Diante disto, as organizações deverão, de maneira acentuada, incorporar a variável ambiental na prospecção de seus cenários e na tomada de decisão, além de manter uma postura responsável de respeito à questão ambiental dez passos necessários para e excelência ambiental:

  1. Desenvolva e publique uma política ambiental;

  2. Estabeleça metas e continue a avaliar os ganhos;

  3. Defina claramente as responsabilidades ambientais de cada uma das áreas e do pessoal administrativo (Linha dou Assessoria);

  4. Divulgue interna e externamente a política, os objetivos e metas e as responsabilidades;

  5. Obtenha recursos adequados;

  6. Eduque e treine seu pessoal e informe os consumidores e a comunidade;

  7. Acompanhe a situação ambiental da empresa e faça auditorias e relatórios;

  8. Acompanhe a evolução da discussão sobre a questão ambiental;

  9. Contribua para os programas ambientais da comunidade e invista em pesquisa e desenvolvimento aplicada à área ambiental;

  10. Ajude a conciliar os diferentes interesses existentes entre todos os envolvidos: empresa, consumidores, comunidade, acionistas, e outros.

Posicionamento da Empresa

Algumas empresas, têm demonstrado que é possível ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente mesmo não sendo um a organização que atua no chamado "mercado verde", desde que as empresas possuam certa dose de criatividade e condições internas que possam transformar as restrições e ameaças ambientais em oportunidades de negócios.

Entre essas oportunidades podemos citar a reciclagem de materiais, o reaproveitamento dos resíduos internamente ou venda o desenvolvimento de novos processos produtivos com a utilização de tecnologia mais limpas ao ambiente, o desenvolvimento de novos produtos par um mercado cada vez maior de consumidores conscientizados com a questão ecológica, geração de materiais de grande valor industrial a partir do lodo tóxico, estações portáteis de tratamento, mini usinas para uso de pequenas empresas e o aparecimento de um mercado de trabalho promissor ligado à variáveis ambiental que deverá envolver auditores ambientais, gerentes de meio ambiente, advogados ambientais, bem como  o incremento de novas funções técnicas específicas.

Dirigentes empresariais gostariam de saber até que ponto o "seu negócio" seria afetado pelo aumento da consciência ecológica dos consumidores e pela exigências da legislação o perfil da organização segundo diversas variáveis:

a)    Ramo de atividade da empresa: pode ser considerado o mais importante indicador da ameaça ao meio ambiente. Dados da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, colocam entre os setores industriais mais poluentes: as indústrias químicas, de papel e celulose, de ferro e aço, de metais não ferrosos (por exemplo: alumínio), de geração de eletricidade, de automóveis e de produtos alimentícios;

b)    Produtos: produtos obtidos de matérias-primas renováveis ou recicláveis, que não agridem o meio ambiente e que têm baixo consumo de energia devem ter a preferência das organização engajadas na causa ambiental.

c)    Processo: Um processo para ser considerado ambientalmente amigável deve estar próximo dos seguintes objetivos: poluição zero, nenhuma produção de resíduos, nenhum risco para os trabalhadores, baixo consumo de energia e eficiente uso dos recursos

d)    Conscientização ambiental: Acompanhar o crescimento das reivindicações ambientais e a sua transformação em novas ideologias e valores sociais que se consubstanciam em mudanças na legislação e em regulamentações mais severas é tarefa muito importante para a sobrevivência e lucratividade da empresa no longo prazo.

e)    Padrões ambientais: há uma correlação direta entre a conscientização da sociedade e os padrões ambientais estabelecidos.

f)      Comprometimento gerencial: dissemina no seio da organização a formação de um clima próprio ao surgimento de esquemas e círculos de qualidade ambiental, banco de sugestões, auditorias e4tc., que se traduzem em uma contínua busca de melhorias.

g)    Capacitação do pessoal: além de investimento em novas máquinas, instalações e equipamentos, tal posição implica necessariamente a existência de um pessoal competente e convenientemente treinado que seja capaz de transformar os planos idealizados em ações afetivas e eficazes.

h)    Capacidade de área de P & D: as empresas ambientais orientadas têm demonstrado ser capazes de se antecipar e reagir rapidamente às mudanças do meio e à legislação ambiental.

i)       Capital: Como o retorno do investimento não pode ser previsto em termos determinatórios, sempre haverá necessidade de aporte de capital próprio ou de terceiros para u a empresa se integre na caos ambiental.

 

Por que se integras na causa ambiental?

Benefícios econômicos

Economia de custos

Incremento de receitas

Benefícios estratégicos

Princípios da Gestão Ambiental

A Câmara de Comércio Internacional (CCI), definiu uma série de princípios de gestão ambiental:

1.    Prioridade organizacional;

2.    Gestão Integrada;

3.    Processo de melhoria;

4.    Educação do pessoal;

5.    Prioridade de enfoque;

6.    Produtos e serviços;

7.    Orientação ao consumidor;

8.    Equipamentos e operacionalização;

9.    Pesquisa;

10.          Enfoque preventivo;

11.          Fornecedores e subcontratados;

12.          Planos de emergência;

13.          Transferência de tecnologia;

14.          Contribuição ao esforço comum;

15.          Transparência de atitude;

16.          Atendimento e divulgação

Aspectos Básicos da Gestão Ambiental na Empresa

Por onde começar?

Uma primeira possibilidade seria verificando o posicionamento da empresa em relação ao desafio ambiental para se certificar em quais variáveis a empresa teve baixa avaliação.

Outra abordagem seria aquela que sob o aspecto ambiental, envolve a identificação das ameaças e oportunidades relacionando-as com os pontos fortes e fracos da empresa. A discussão da situação da empresa e o desenvolvimento de cenários futuros resultarão em novos direcionamento s planos que permitirão tirar vantagens das oportunidades possíveis, prevenir as ameaças potenciais, manter os pontos fortes e minimizar ou eliminar os pontos fracos.

A organização da atividade/função ecológica

a)    como se estruturar?

 A maneira pela qual a atividade/função ecológica deve ser estruturada depende do tipo de atividade a que a empresa se dedica e do tamanho da empresa.

Atualmente muitas empresas já estão conscientizadas da importância ambiental e possuem uma atividade específica para cuidar desse problema que se encontra agregada junto à função de produção, segurança, qualidade e outros.

Em estudo realizado por Donaire (1992) a inserção de variável ecológica na organização obedece a uma seqüência de três fase: percepção, compromisso e ação.

b)    Localização na estrutura

A área que cuida da questão ambiental deve cobrir todas as atividades que envolvem seu relacionamento com a estratégia da organização, com as outras áreas funcionais, bem como com os aspectos ligados à poluição do meio ambiente, segurança do processo e do produto, higiene e segurança dos trabalhadores e com a prevenção de acidentes e danos ambientais.

A repercussão  da questão Ambiental na Organização

Introdução

A repercussão da questão dentro da organização e o crescimento de sua importância ocorrem a partir do momento em que a empresa se dá conta de que essa atividade, em lugar de ser uma área que só lhe propicia despesas, pode transformar-se em um excelente local de oportunidades de redução dos custos.

 Impacto na empresa

Está ligado diretamente ao seu potencial de poluição. Assim, se este potencial é alto, sua importância na estratégia é vital e sua corrente avaliação uma questão de sobrevivência. Se esse potencial é reduzido, a variável ecológica pode ser considerada, mas seu impacto será sempre de importância secundária na formulação da estratégia organizacional. Um, que se forma externamente à organização e que pode ser dividido em dois contextos diferentes: internacional e nacional. No internacional, perceptível nas empresas multinacionais, caracteriza-se pela transposição das políticas institucionais das matrizes.

No contexto nacional, essa influência externa caracteriza-se pelas exigências da legislação ambiental, que passam a estabelecer normas de atuação que resultam em repercussões em nível interno nas organizações interessadas em equacionar seus problemas ambientais. Segundo instante em repercussão na estrutura organizacional e na própria postura estratégica, materializam-se em dois níveis: em nível formal, com inclusão de funções, atividades, autoridades e responsabilidades específicas em relação a variável ecológica, e em nível informal, disseminando entre todos os componentes da organização a idéia de que a responsabilidade ambiental é, além de ser u comprometimento formal da empresa, uma tarefa conjunta, que deve ser realizada por todos os funcionários, desde os elementos da alta cúpula até os mais humildes trabalhadores.

Influência nas demais unidades administrativas

As demais unidades administrativas são afetadas de forma diferenciada, em virtude de sua maior ou menor ligação funcional a área ambiental, para que a causa ambiental da empresa atinja seus objetivos, a atividade de meio ambiente na organização deve potencializar ao máximo sua atuação junto aos demais setores da empresa, buscando integração profissional, responsável e perfeita sintonia de interesses.

O aspecto mais importante e fundamental a ser considerado para a perfeita harmonização e integração da área ambiental junto às demais áreas funcionais é a disposição política da Alta Administração em transformar a causa ecológica em um princípio básico da empresa.

Noções de auditoria ambiental

Histórico

A Auditoria Ambiental teve sua origem nos EUA com a realização de auditorias voluntárias nos anos 70. A exigência de revelação de questões ambientais por parte da SEC – Securitias and Exchange Commission, nos Estados Unidos, também teve um peso considerável no desenvolvimento da auditoria ambiental como uma técnica. Essas auditorias consistiam em análises críticas do desempenho ambiental ou auditorias para verificação de conformidade, uma vez que se destinavam a reduzir os riscos dos investidores às ações legais \que pudessem resultar das operações da empresa. Alem disso, o órgão americano de proteção ao meio ambiente, US Environmental Protection Agency, serviu de instrumento para tornar as auditorias ambientais compulsórias em alguns setores industriais.

Desde o final dos anos 80 que as auditorias ambientais se tornaram uma ferramenta gerencial comum nos países desenvolvidos e está crescentemente sendo aplicada nos países em desenvolvimento, tanto pelas empresas estrangeiras q  eu neles operam como pelas empresas locais.

No Brasil, a gestão do meio ambiente caracteriza-se pela desarticulação dos diferentes organismos desenvolvidos, pela falta de coordenação e pela escassez de recursos financeiros e humanos para gerenciamento das questões relativas ao meio ambiente. Essa situação é  resultado de diferentes estratégias adotadas em relação a questão ambiental no contexto do desenvolvimento econômico do Brasil.

De acordo com Monosowski (1989), as estratégias de desenvolvimentos adotadas desde os anos 50 também assumem essas mesmas características ao privilegias o crescimento econômico de curto prazo, mediante a modernização maciça e acelerada dos meios de produção. Isso tudo, aliado ao acelerado processo de urbanização que ocorreu nas grandes cidades, causou profunda degradação do ambiente urbano.

Inspirada pela 1ª Conferencia das Nações Unidas sobre meio ambiente, a criação da secretaria especial de meio ambiente inaugurou nova fase em nosso país, onde se manifesta uma vontade política no tratamento explícito da problemática ambiental enquanto suporte à vida e não apenas fonte de recursos.

Esse período conhece também uma sensibilização e uma organização do movimento social sobre as questões ambientais, em razão da degradação das condições de vida do meio ambiente urbano, como indicaram os resultados de pesquisas realizadas em São Paulo em 1975, que enfatizavam como prioritário o problema da poluição ambiental, até mesmo em relação as questões econômicas.

A evolução levou algumas organizações a integral o controle ambiental em gestão administrativa, projetando-o nas mais altas esferas de decisão. Atender ao presente e gerar respostas setoriais e estanques passou a não ser suficiente; olhar o futuro, horizontalizar a análise e planejar corporativamente passou a ser o caminho natural.

O termo “Auditoria Ambienta “ encerra muitas aplicações diferentes, de acordo com as necessidades das organizações, variando de auditorias isoladas até programas sofisticados que as empresas desenvolvem como parte da sua Gestão Ambiental. 

Conceito

Auditoria Ambiental é uma atividade administrativa que compreende uma sistemática e documentada a avaliação de como a empresa se encontra em relação à questão ambiental. Esta auditoria deve ser efetuada periodicamente de forma a aferir se a legislação ambiental aplicável a política, o programa e objetivos de ambiente da empresa estão sendo cumpridos.

Origem das auditorias

A auditoria como uma disciplina surgiu no setor financeiro para exame sistemático da contabilidade empresarias de acordo com exigências legais e normas estabelecidas.

Nas auditorias ambientais deve-se utilizar uma abordagem planejada, documentada e justificável, observando as premissas assumidas, as limitações da auditoria e as normas utilizadas. A orientação recente para normas de auditorias ambientais simplesmente se refere a normas de auditorias da qualidade, substituindo o termo “qualidade” por “meio ambiente”. Esses documentos de orientação para auditoria ambiental farão parte das seguintes séries de normas internacionais Série ISO 14000: 14010 – Princípios da Auditoria Ambiental; 14011 – Critérios para Auditoria Ambiental e 14012 – Qualificação de Auditores Ambientais.

 Motivação para auditorias ambientais

Existem várias razões para empreender uma auditoria ambiental ou um programa de auditorias. O uso final da informação gerada na auditoria dá origem a amplos tipos de auditorias ambientais.

Uma auditoria para assegurar ao dirigente de um a empresa que a organização está gerenciando suas responsabilidades ambientais será considerada ampla em escopo e abrangência, se comparada a uma equipe gerencial de uma instalação isolada que busque se assegurar de sua conformidade à Legislação.

É, portanto, importante Ter em mente que os resultados e benefícios desejados da auditorias estão estreitamente relacionados aos objetivos estabelecidos e recursos alocados ao programa de auditorias.

Razões para realizar auditorias

¨     Desenvolver uma Política Ambiental corporativa;

¨     Conformidade com a Legislação;

¨     Analisar as práticas gerenciais e as operações existentes;

¨     Estimar os riscos e as responsabilidades;

¨     Analisar os procedimentos de resposta e emergências;

¨     Melhorar a utilização dos recursos;

¨     Competição;

¨     Selecionar fornecedores;

¨     Adequar o treinamento ambiental;

¨     Estratégia

a)    Desenvolver produtos e serviços ‘verdes’

b)    Demonstração de ‘diligencia de vida’

c)    Obter uma apólice de seguro.

Auditoria Ambiental (AA)

Sua execução constitui-se num critério essencial para que investidores e acionistas possam avaliar o passivo ambiental da empresa e fazer sua projeção para sua situação no longo prazo. Seu aspecto de utilização é bem amplo, pois possibilita a preocupação pró-ativa de buscar alternativas melhores em relação a insumos e produtos que sejam menos agressivos ao meio ambiente. 

Metodologia da Auditoria ambiental

A  auditoria ambiental é uma atividade administrativa que compreende uma sistemática e documentada avaliação de como a organização se encontra em relação à questão ambiental. Essa Auditoria que deve ser realizada periodicamente visa facilitar a atuação e o controle da gestão ambiental da empresa e assegurar que a planta industrial esteja dentro dos padrões de emissão exigidos pela legislação ambiental, entre as atividades que são usualmente auditadas incluem-se as seguintes:

Atividades pré-auditoria

A equipe de auditoria deve ganhar a confiança da unidades auditadas e deixar claro que seu trabalho está muito mais voltado para melhorar a eficácia global da organização.

A periodicidade da Auditoria varia de empresa para empresa. Em algumas delas os setores são divididos em baixo risco, médio risco e alto risco, separando assim aquilo que deve ser auditado com maior freqüência e profundidade do que pode ser feito de forma mais branda em períodos mais espaçados.

O tratamento da equipe de Auditores também é variável, podendo incluir, além dos auditores, especialistas, representantes da unidade que está sendo auditada, representantes de outras unidades da empresa e consultores externos.

Atividades de campo

As atividades de campo, segundo a UNEP/IEO, incluem cinco fases, que são as seguintes: entender os controles internos, avaliação dos controles internos, coleta dos dados, avaliação dos resultados da auditoria e relatório dos resultados.

Atividades pós-auditoria

As atividades de pós-auditoria, de acordo com a UNEP/IEO devem atender aos seguintes aspectos:

1.    Reavalie o relatório apresentado no encontro fechado, especificando prazo para a correção e lista de destinatários que devem ser informados através do relatório final e do plano de ação;

2.    Elaborar o relatório final;

3.    Estabeleça o [plano de ação especificando sua metodologia: estratégia, cronograma, execução e controle];

4.    Acompanha a execução do plano de ação e seus resultados junto as unidades envolvidas, certificando-se de que todos os procedimentos foram seguidos e executados.

 

Prof. Barreto.